A Voz do Brejo: Poesias Góticas


 

A Voz do Brejo marca um momento importante da minha jornada literária: a retomada definitiva da poesia sombria.

Durante o Ensino Médio, nas aulas de Literatura, tive meu primeiro contato com o Ultrarromantismo e o Simbolismo. O fascínio foi imediato. Autores como Álvares de Azevedo e Alphonsus de Guimaraens passaram a influenciar profundamente a minha escrita. Naquela época, meus poemas já possuíam um forte teor gótico, embora eu ainda não soubesse definir isso. E ler aqueles autores foi como descobrir que a escuridão presente em minha poesia também podia ser bela.

Entretanto, por ter crescido em um ambiente conservador e rígido, eu ainda nutria certa resistência ao meu próprio estilo. No fundo, acreditava que meus poemas eram sombrios demais, tristes demais, inadequados para serem mostrados ao mundo. Por muitos anos, silenciei essa parte obscura que moldava a minha escrita.

Mais tarde, cheguei a escrever e publicar livros dos quais me orgulho, mas que não dialogavam plenamente com meu verdadeiro eu.

Então, em 2020, tomei uma decisão: não mais suavizar minha literatura. Voltei a escrever sobre tudo aquilo que sempre me fascinou: a melancolia, os cemitérios, a morte, os monstros, os pesadelos, a solidão e os abismos da mente humana. Dessa escolha nasceu A Voz do Brejo, meu primeiro livro inteiramente gótico. Mais do que uma coletânea de poemas, este livro representa o momento em que deixei de fugir da minha própria essência e permiti que ela ecoasse livremente através da poesia.

O título é passível de diferentes interpretações. A ideia inicial, porém, era simples: o brejo representa o lugar para onde escondi minha poesia sombria durante anos, e o livro marca o instante em que ela finalmente encontra espaço para falar. A Voz do Brejo é o retorno dessa presença enterrada nas sombras. É a manifestação de tudo aquilo que permaneceu oculto, silenciado ou reprimido ao longo do tempo.

O brejo também pode simbolizar estados emocionais difíceis. Nesse sentido, os poemas dão forma e linguagem à melancolia, à depressão, e à solidão.